Olhe para o relógio

Olhe pro relógio.
Não pra cá, pro relógio.
Olhou? Agora sim.
Quer seguir em frente?
Não são tantas linhas assim.
Se você chegou até aqui, pode ir além. Prossiga. Não lhe peço isso, só ofereço a possibilidade. Não que eu precise oferecer.
Não leia. Porque não faz sentido. Neste momento estou perdendo tempo. A cada linha que escrevo, perco mais tempo. Este tic-tac incessante que ouço, só ratifica aquilo que já sei: "Você está perdendo tempo".
Estou brincando com meus sobrinhos, tão jovens, e eles não sabem o que é perder tempo. Eu sei. Vejo aquela moça que sempre quis e não a abordo. Meu amigo me diz: "Você está perdendo tempo".
O dia amanheceu e estou na praia. Olho pro sol, olho pro mar, e quando olho de novo pro sol, ele não está no mesmo lugar. Mas eu, eu continuo parado. Até o momento em que meus olhos já não doem ao avistar o céu, mas se protegem das inúmeras gotas d'água que caem das nuvens. E eu observo as pessoas em volta indo embora. Lá se foi o bom tempo.
São 14:30 da tarde e faço uma prova, sob os avisos constantes do professor: "O tempo está acabando".
Desenhando na aula, um colega me aborda e comenta "Que perda de tempo". E eu termino meu desenho. Meu melhor amigo se aproxima. Festa no final da noite. Você vai? "Sem tempo". Vejo-me na mais entediante aula de inglês. Quase grito, por dentro: "Passa tempo, passa!".
Penso em assistir ao novo filme em cartaz no cinema. A crítica diz que é ruim: "Nem perca seu tempo".
Chego em casa. Minha namorada reclama: "Você não tem mais tempo pra mim!" Não, não tenho! Estou perdendo o tempo o tempo todo. "Eu te amo!". E você só me faz perder tempo! "Então foi tempo perdido estar com você. Adeus!" Não foi, nem foi! Volte! Se foi. Perdi o tempo de lhe dizer e me arrepender.
O tempo voa, o tempo corre e escapa de mim. Resolvo que não sou escravo dele! Resolvo ignorá-lo. Jogo o relógio pela janela, fecho a janela, desligo a TV, me tranco no quarto. Penso, sorrio, sinto, escrevo, choro, sonho. Ignoro o tempo. E o tempo me ignora.
*
Mas agora eu saio do meu quarto e tudo está tão diferente. Ligo pra minha namorada, e quem atende, em tom de ameaça, é um tal de Paulo. "O que você quer com ela? Quem é você?".
Encontro meu melhor amigo de outrora e ele exclama "Quanto tempo! Está bem? Legal. Vou ali. Bom te ver." Fico assustado com tamanha indiferença.
Vou brincar com meus sobrinhos, mas soube que eles estavam no trabalho. É, o tempo passou. Perderam meus registros na faculdade. Acharam! "Desistente", lá consta.
E agora eu ando por aí, observando as pessoas, procurando rostos conhecidos. E já não vejo ninguém. E agora eu não consigo mais achar o tempo que perdi.
E você, bom, você também é daqueles que acham que eu só perco meu tempo. Prolongando este texto até aqui, consigo perder mais tempo ainda.
E eu concordo, enfim. Resolvo pontuar. Ponto final.
Mas, ah! Antes que eu me esqueça.
Olhe pro relógio.
Não pra cá, pro relógio.
Olhou? Agora sim.
Quer seguir em frente?
Não são tantas linhas assim.
Se você chegou até aqui, pode ir além. Prossiga. Não lhe peço isso, só ofereço a possibilidade. Não que eu precise oferecer.
Não leia. Porque não faz sentido. Neste momento estou perdendo tempo. A cada linha que escrevo, perco mais tempo. Este tic-tac incessante que ouço, só ratifica aquilo que já sei: "Você está perdendo tempo".
Estou brincando com meus sobrinhos, tão jovens, e eles não sabem o que é perder tempo. Eu sei. Vejo aquela moça que sempre quis e não a abordo. Meu amigo me diz: "Você está perdendo tempo".
O dia amanheceu e estou na praia. Olho pro sol, olho pro mar, e quando olho de novo pro sol, ele não está no mesmo lugar. Mas eu, eu continuo parado. Até o momento em que meus olhos já não doem ao avistar o céu, mas se protegem das inúmeras gotas d'água que caem das nuvens. E eu observo as pessoas em volta indo embora. Lá se foi o bom tempo.
São 14:30 da tarde e faço uma prova, sob os avisos constantes do professor: "O tempo está acabando".
Desenhando na aula, um colega me aborda e comenta "Que perda de tempo". E eu termino meu desenho. Meu melhor amigo se aproxima. Festa no final da noite. Você vai? "Sem tempo". Vejo-me na mais entediante aula de inglês. Quase grito, por dentro: "Passa tempo, passa!".
Penso em assistir ao novo filme em cartaz no cinema. A crítica diz que é ruim: "Nem perca seu tempo".
Chego em casa. Minha namorada reclama: "Você não tem mais tempo pra mim!" Não, não tenho! Estou perdendo o tempo o tempo todo. "Eu te amo!". E você só me faz perder tempo! "Então foi tempo perdido estar com você. Adeus!" Não foi, nem foi! Volte! Se foi. Perdi o tempo de lhe dizer e me arrepender.
O tempo voa, o tempo corre e escapa de mim. Resolvo que não sou escravo dele! Resolvo ignorá-lo. Jogo o relógio pela janela, fecho a janela, desligo a TV, me tranco no quarto. Penso, sorrio, sinto, escrevo, choro, sonho. Ignoro o tempo. E o tempo me ignora.
*
Mas agora eu saio do meu quarto e tudo está tão diferente. Ligo pra minha namorada, e quem atende, em tom de ameaça, é um tal de Paulo. "O que você quer com ela? Quem é você?".
Encontro meu melhor amigo de outrora e ele exclama "Quanto tempo! Está bem? Legal. Vou ali. Bom te ver." Fico assustado com tamanha indiferença.
Vou brincar com meus sobrinhos, mas soube que eles estavam no trabalho. É, o tempo passou. Perderam meus registros na faculdade. Acharam! "Desistente", lá consta.
E agora eu ando por aí, observando as pessoas, procurando rostos conhecidos. E já não vejo ninguém. E agora eu não consigo mais achar o tempo que perdi.
E você, bom, você também é daqueles que acham que eu só perco meu tempo. Prolongando este texto até aqui, consigo perder mais tempo ainda.
E eu concordo, enfim. Resolvo pontuar. Ponto final.
Mas, ah! Antes que eu me esqueça.
Olhe pro relógio.


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